e pessoas marcadas por valores transcendentes e espirituais.
Promover parcerias no território, tentar trabalhar juntos pelo bem dos jovens,
especialmente os mais vulneráveis, não é um jogo partidário, mas um dever humano
coletivo. Estudar juntos os desafios para poder traçar os passos a seguir é um caminho
iluminado pela dignidade e pela compaixão. Nessa lógica compartilhada por todos, uma
lógica que coloca o bem dos nossos jovens como prioridade, está definitivamente superada a
leitura ideológica que marcou boa parte do último século na Europa. O pós-secular, assim
como o pós-moderno, épocas sem nome nascidas da secularização e da modernidade,
deixam-nos todos órfãos, fazendo-nos crer que evoluímos. Eliminados os pontos de
referência que serviam de bússola, procura-se recuperar agora, com grande esforço, em
meio à desertificação existencial, aquilo que jogamos fora na lixeira da história.
Conclusão
Gostaria de concluir este discurso com uma reflexão do Papa Bento XVI quando, em
2008, comentava o apelo da urgência educativa. Ao final de seu discurso ele escreve “como
na educação é decisivo o sentido de responsabilidade”. O Papa Bento comenta o chamado à
responsabilidade nos seguintes termos:
A responsabilidade é em primeiro lugar pessoal, mas existe também uma responsabilidade
que partilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma nação, como
membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros
da Igreja. De facto as ideias, os estilos de vida, as leis, as orientações gerais da sociedade
em que vivemos, e a imagem que ela dá de si mesma através dos meios de comunicação,
exercem uma grande influência sobre a formação das novas gerações, para o bem, mas
muitas vezes também para o mal. Contudo a sociedade não é uma abstração; no final somos
nós próprios, todos juntos, com as orientações, as regras e os representantes que elegemos,
mesmo sendo diversos os papéis e as responsabilidades de cada um. Portanto, há
necessidade da contribuição de cada um de nós, de cada pessoa, família ou grupo social,
para que a sociedade, começando pela nossa cidade de Roma, se torne um ambiente mais
favorável à educação. (Carta do Santo Padre Bento XVI à diocese e à cidade de Roma sobre
a urgente tarefa da educação, 21 de janeiro de 2008)
Não podemos permitir-nos tomar levianamente este apelo que nos é feito. Os jovens,
de várias maneiras e com diferentes clamores, pedem-nos “hoje” para ajudá-los a construir
o “amanhã”. Colocar-nos como peregrinos com eles e por eles é a missão mais urgente, a
escolha mais nobre que, como cidade, todos juntos podemos e devemos assumir, pelos
jovens que Dom Bosco chamava de “a porção mais delicada e mais preciosa da sociedade
humana.”
Desejo a esta cidade, às suas instituições civis e religiosas, às várias ONG, que tenham a